PSP
continua a recolher os pedaços de fuselagem que permitirão apurar como
o 'Boeing' da TAAG andou a perder peças. Comissão de investigação
completa até quinta-feira.
Até
às 17 horas de ontem, eram quinze as denúncias registadas pela PSP
relativamente a danos causados pela queda de peças de avião que teve
lugar em Almada, na segunda-feira de manhã. A PSP tem estado a recolher
os pedaços metálicos do motor, que ficarão apreendidos até que o GPIAA
(Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves) os
solicite para análise, no âmbito da investigação que já está a decorrer
e permitirá apurar as causas da desagregação das peças.
O
GPIAA já começou a recolher os testemunhos da tripulação e está neste
momento a aguardar a chegada dos membros estrangeiros da comissão de
investigação, que deverá estar completa até quinta-feira.
Assim
que a comissão estiver reunida, começarão a ser analisados os
fragmentos recolhidos, para averiguar a relação com o Boeing 777 da
TAAG - Linhas Aéreas de Angola, e o motor será recolhido para análise.
"Ao que parece, é o motor que está estragado, pelo que a aeronave não
deverá ficar retida muito tempo", explica Fernando Reis, director da
GPIAA.
"Os
aviões foram feitos para andar no ar, e é um prejuízo enorme ter um
parado", pelo que o avião será libertado logo que possível. Para já,
continuará retido no Aeroporto da Portela.
O
director do GPIAA não consegue adiantar qual o número exacto de
investigadores que estarão envolvidos na operação, mas fala em "poucas
dezenas". Fernando Reis já nomeou os quatro representantes portugueses,
o responsável pela investigação e três peritos. De Angola chegarão os
representantes do Estado de registo da aeronave, que é também o país de
origem do operador, e dos Estados Unidos da América os representantes
do Estado onde o avião foi desenhado e fabricado.
Cabe
assim ao Estado português realizar a investigação. "A recolha dos
fragmentos tem sido feita pela PSP, uma vez que estão na via pública e
o incidente envolveu danos a terceiros de que é preciso fazer queixa",
esclarece Fernando Reis. O que significa que os fragmentos estarão
envolvidos em dois processos: a investigação aeronáutica e a
investigação do Ministério Público, para ressarcimento dos danos.
A
Comissão vai analisar também a informação proveniente da operadora, as
suas comunicações e o relatório da peritagem às gravações da caixa
negra do avião, feito por um laboratório estrangeiro. Um processo que
poderá levar vários meses, "mas à partida não será muito complexo",
acredita Fernando Reis.
O
relatório preliminar da comissão de investigação deverá estar pronto
dentro de um mês e dará conta de factos, essencialmente. Para já ainda
não se sabe qual foi a causa do incidente.
Serão
tidos em conta factores materiais, nomeadamente o estado do motor,
ambientais, relacionados com a possível existência de pássaros, chuva
ou granizo, e humanos, que têm que ver com os testemunhos de pilotos,
mecânicos ou outros técnicos. Quem o resume é o vice-presidente da
APPLA (Associação Portuguesa de Pilotos de Linha Aérea) José Cruz dos
Santos, que classifica o fenómeno de ontem como "extraordinário".
"É
feita uma manutenção extremamente rigorosa para detectar qualquer falha
antes de causar algum dano. São feitas inspecções diárias, de 72 horas,
inspecções semanais, mensais e plurianuais", sendo que quanto mais
espaçadas são as inspecções mais "profundas". "Nas inspecções
plurianuais, o avião é todo descascado por dentro", assegura o
comandante. "O avião é praticamente todo desmontado."
Para
José Cruz dos Santos, não é este acidente que vem lançar uma sombra
sobre o meio de transporte que continua a considerar o mais seguro do
mundo, sublinhando o facto de o piloto ter sido capaz de aterrar o
avião normalmente apenas com um motor a funcionar. "Os pilotos treinam
regularmente em simuladores, porque estas coisas acontecem quando menos
se espera e não há tempo para grandes considerações."
O
momento de aproximação à pista é considerado de maior risco, mas ainda
assim os especialistas ouvidos pelo DN não consideram que a localização
do aeroporto dentro da zona urbana potencie fenómenos deste género.
Porque "as cidades crescem", resume Fernando Reis, director do GPIAA.
Mesmo que no momento de construção o aeroporto esteja isolado,
"rapidamente ficará rodeado de edifícios", completa José Cruz dos
Santos, da APPLA.
Além
de que "o avião pode cair em cima de uma cidade, mesmo ficando no meio
do nada", pois sobrevoa povoações, acrescenta Fernando Reis.
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