JOHANESBURGO (Reuters) - Moçambique tem se tornado um importante
centro do narcotráfico na África, e autoridades de primeiro escalão
recebem subornos para fazerem vista grossa, segundo documentos
sigilosos dos EUA divulgados pelo site WikiLeaks.
"Apesar da retórica anticorrupção, o partido governista Frelimo não
tem demonstrado uma séria vontade política de combater o narcotráfico",
disse um documento secreto enviado em janeiro deste ano pela embaixada
dos EUA, em Maputo, ao governo norte-americano, e divulgado nesta
semana pelo WikiLeaks.
O governo moçambicano se recusou a comentar as informações.
Oficialmente, o Departamento de Estado dos EUA alerta que a
ex-colônia portuguesa na costa leste da África é um ponto de passagem
para drogas consumidas principalmente na Europa - haxixe, maconha,
cocaína e heroína. A Interpol diz que traficantes cada vez mais
recorrem ao país para levar drogas da América Latina para a Europa.
Outro documento sigiloso divulgado pelo WikiLeaks afirma que
produtores de droga do sul da Ásia também entraram em cena, levando
drogas pelo porto de Nacala (norte).
"Moçambique quase certamente não é ainda um narco-Estado falido",
disse um documento de novembro de 2009, que cita no entanto a grande
movimentação de drogas no país, por causa de sua costa longa e
desprotegida e à facilidade de subornar funcionários portuários e
alfandegários.
Os documentos dizem que Mohamed Bachir Suleman, acusado publicamente
neste ano pelo presidente dos EUA, Barack Obama, e pelo Tesouro dos EUA
de ser um importante chefe do tráfico em Moçambique, é suspeito de ter
feito enormes contribuições financeiras à Frelimo, segundo os
documentos.
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