sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Moçambique é nova rota do narcotráfico na África, segundo WikiLeaks

JOHANESBURGO (Reuters) - Moçambique tem se tornado um importante centro do narcotráfico na África, e autoridades de primeiro escalão recebem subornos para fazerem vista grossa, segundo documentos sigilosos dos EUA divulgados pelo site WikiLeaks.
"Apesar da retórica anticorrupção, o partido governista Frelimo não tem demonstrado uma séria vontade política de combater o narcotráfico", disse um documento secreto enviado em janeiro deste ano pela embaixada dos EUA, em Maputo, ao governo norte-americano, e divulgado nesta semana pelo WikiLeaks.
O governo moçambicano se recusou a comentar as informações.
Oficialmente, o Departamento de Estado dos EUA alerta que a ex-colônia portuguesa na costa leste da África é um ponto de passagem para drogas consumidas principalmente na Europa - haxixe, maconha, cocaína e heroína. A Interpol diz que traficantes cada vez mais recorrem ao país para levar drogas da América Latina para a Europa.
Outro documento sigiloso divulgado pelo WikiLeaks afirma que produtores de droga do sul da Ásia também entraram em cena, levando drogas pelo porto de Nacala (norte).
"Moçambique quase certamente não é ainda um narco-Estado falido", disse um documento de novembro de 2009, que cita no entanto a grande movimentação de drogas no país, por causa de sua costa longa e desprotegida e à facilidade de subornar funcionários portuários e alfandegários.
Os documentos dizem que Mohamed Bachir Suleman, acusado publicamente neste ano pelo presidente dos EUA, Barack Obama, e pelo Tesouro dos EUA de ser um importante chefe do tráfico em Moçambique, é suspeito de ter feito enormes contribuições financeiras à Frelimo, segundo os documentos.

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