RIO DE JANEIRO (Reuters) - A polícia do Rio de Janeiro encontrou
nesta terça-feira no interior do Complexo do Alemão um túnel da rede
pluvial que, segundo moradores, foi utilizado por traficantes para fugir
após a ocupação policial do local no fim de semana.
Apesar de a polícia afirmar que o Alemão era uma fortaleza de uma
grande facção criminosa e que centenas de homens armados se refugiavam
lá, apenas 36 pessoas foram presas e um suspeito morreu desde domingo
por envolvimento com o crime organizado.
Segundo a polícia, muitos suspeitos ainda podem estar escondidos
entre os mais de 100 mil habitantes do conjunto de favelas na zona norte
da capital, mas a polícia recebeu informações de moradores de que
líderes do tráfico escaparam por um túnel com 400 metros de comprimento
que termina fora da favela.
"Segundo informações passadas por moradores da comunidade, os
traficantes teriam usado aquele túnel para fugir durante o cerco
realizado pelas forças de segurança. Os policiais continuam no local
para procurar armas e drogas deixadas pelos criminosos", informou a
Polícia Civil em nota.
A polícia do Rio, com apoio de homens e veículos blindados das Forças
Armadas, ocupou o Alemão no domingo em resposta a uma onda de ataques a
veículos e alvos policiais realizada na semana passada pela facção
criminosa que tinha uma fortaleza no conjunto de favelas.
Ao menos 45 suspeitos morreram ao longo da semana em confrontos com a
polícia, além de uma jovem de 14 anos vítima de bala perdida.
Policiais militares e civis prosseguem no Complexo do Alemão em busca
dos criminosos, enquanto cerca de 800 homens do Exército mantém um
cerco ao local com revistas rigorosas de pessoas e veículos que deixam a
comunidade.
De acordo com a Polícia Militar, já foram apreendidas mais de 30
toneladas de drogas e centenas de armas --incluindo dezenas de fuzis e
metralhadoras .30 e .50-- que foram deixadas para trás pelos criminosos
após a ocupação policial.
O governador Sérgio Cabral oficializou nesta terça um pedido ao
Ministério da Defesa para que ao menos dois mil soldados do Exército
permaneçam no Alemão até a instalação de uma Unidade de Polícia
Pacificadora (UPP), prevista para o primeiro semestre de 2011.
"Nós combinamos de não solicitar um número porque eles têm todo um
procedimento militar e eles vão avaliar, de fato, quanto precisam. Tem
toda uma lógica militar que a gente tem que respeitar", disse Cabral a
jornalistas após a inauguração da UPP do Morro dos Macacos, local onde
um helicóptero da polícia foi derrubado por tiros de traficantes há
pouco mais de um ano.
Cabral também afirmou que o governo vai investigar as denúncias
feitas por moradores do Alemão de que casas foram furtadas por policiais
durante a ocupação. "Vamos punir rigorosamente qualquer policial que se
afaste da prática correta", disse.
A implantação de 13 UPPs na capital fluminense desde 2008 é
considerada o maior avanço na área de segurança pública da cidade nos
últimos anos, e a medida foi inclusive citada pelo Comitê Olímpico
Internacional como um exemplo de que o Rio será seguro para a Olimpíada
de 2016.
Autoridades da área de segurança consideram as ações da semana
passada uma resposta às unidades, que provocaram a saída de chefes do
tráfico de favelas onde esse tipo de policiamento foi instaurado. Acuado
e forçado a deixar algumas áreas da cidade, o crime organizado estaria
reagindo.
(Por Pedro Fonseca, com reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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